Há quatro temporadas, a indústria chilena de mirtilos (blueberries) tomou a decisão estratégica de iniciar uma renovação varietal. Hoje, o setor encontra-se num ponto de inflexão decisivo.
O setor não apenas consolida uma mudança profunda na sua matriz de variedades e nos seus padrões de qualidade, como também soma uma estratégia diferenciada, alinhada ao fortalecimento do mercado interno.
Nesse sentido, com o início da temporada 2025-26, o Comitê de Mirtilos da Frutas de Chile lançou oficialmente a campanha “Pequenos, poderosos e deliciosos. Mirtilos, o tempo todo!”, uma iniciativa que busca educar e promover o consumo desta superfruta entre as famílias chilenas.
Renovação Varietal em Foco
O diretor executivo do Comitê de Mirtilos do Chile, Andrés Armstrong, explicou que o setor avança firme num processo de modernização genética que já apresenta resultados concretos.
“Há quatro temporadas nossos volumes de exportação de mirtilos frescos vêm se ajustando, retirando variedades que já não eram competitivas para integrar nova genética”, afirmou.
O sucesso das novas variedades ficou evidente: na temporada passada, a indústria cresceu 5% nos envios. Para a atual temporada, projeta-se um incremento de 1%, totalizando 91.500 toneladas de fruta fresca e cerca de 70 mil toneladas de mirtilos congelados.
O destaque é que este crescimento provém de um aumento de 67% nas variedades de renovação e uma diminuição de 17% nas variedades tradicionais.
Julia Pinto, gerente técnica do Comitê, explicou que a variedade Duke continua liderando as exportações, mas as novas variedades ganharam um papel crucial, com destaque para o dinamismo da Suziblue, OZblue (Magnífica, Mágica), MBO (Eureka) e Sekoya (Pop, Crunch).
“Até o momento, 40% dos envios correspondem à renovação varietal, e nas etapas iniciais da temporada essa porcentagem chegou a 63%”, disse Pinto.
Produção Antecipada com Excelente Qualidade
A presente temporada trouxe uma característica diferenciadora: um avanço fenológico significativo, acumulando 88% mais produção em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, as projeções totais se mantêm, ajustando-se apenas a curva de saídas semanais.

Em termos de qualidade, o balanço é positivo. “As novas variedades exibem maior firmeza e calibre. Uma colheita bem programada, melhores tempos de entrada no frio, maior precisão pós-colheita e eficiências logísticas — como o Blueberry Express — contribuíram para elevar o padrão da fruta chilena”, assinalou Armstrong.
Mercados de Destino
O diretor executivo expôs que a indústria de congelados também está realizando um bom trabalho de desenvolvimento de mercados, oferecendo “uma boa opção para aquelas produções que já não têm espaço na indústria de frescos”.
Sobre os principais destinos da fruta fresca, Armstrong pontuou:
- Inglaterra: Posiciona-se como um dos destinos com maior crescimento, destacando-se pela exigência em qualidade.
- Ásia: A Coreia do Sul absorve uma porção crescente dos envios, enquanto a China perde força.
- Estados Unidos: Exibe uma menor participação devido à tarifa de 10% para o mirtilo chileno, o que tem incentivado os exportadores a diversificar os destinos.
Consumo Local e Benefícios
A disponibilidade mais homogênea de mirtilos durante todo o ano impulsionou a entrada de novos consumidores, especialmente aqueles que incorporam a fruta como snack saudável.
O Comitê detectou uma lacuna de informação sobre os atributos nutricionais da fruta. Os mirtilos são uma fonte natural de fibra, vitamina C, vitamina K e antioxidantes. “O mirtilo chileno é reconhecido pelos seus benefícios à saúde e pelo seu sabor doce distintivo. Queremos incentivar esse consumo em casa”, afirmou Armstrong.
Competitividade a Longo Prazo
Mais do que volume, o setor avança em pilares de competitividade que vão desde a instalação correta do cultivo até a avaliação contínua de ferramentas pós-colheita. O foco é plantar com “zero falhas” para assegurar rendimentos ótimos.
Armstrong destacou que o setor vive um renascimento: “A indústria de mirtilo do Chile mantém-se proativa em renovar-se para competir e entregar aos consumidores a melhor fruta. Isso está impulsionando um aumento do consumo e consolidando a posição do Chile no fornecimento mundial”
Fonte: https://www.portalfruticola.com
Por Tradefruits
O que isso significa para o mercado brasileiro?
Para nós, importadores e distribuidores no Brasil, essa notícia traz dois pontos de atenção estratégicos:
- Qualidade Superior na Gôndola: A “renovação varietal” citada não é apenas um termo técnico; é o que define a aceitação do consumidor final. O paladar brasileiro rejeita o mirtilo “mole” ou excessivamente ácido. A chegada dessas novas genéticas (como a Sekoya e MBO) garante uma fruta mais crocante (crunchy), doce e com maior tempo de prateleira (shelf-life). Isso reduz as perdas no varejo e aumenta a recompra.
- Oportunidade Comercial: Com os Estados Unidos impondo tarifas de 10% e a China desacelerando as compras, o Chile precisa diversificar seus destinos. Isso abre uma janela de oportunidade para o mercado brasileiro negociar volumes de alta qualidade (Premium) que antes seriam direcionados exclusivamente ao Hemisfério Norte. A proximidade logística joga a nosso favor para trazer essa “superfruta” fresca e competitiva para o consumidor local.
Resumo: O Chile está produzindo mais e melhor, e precisa de parceiros comerciais. O momento é ideal para consolidar a presença do mirtilo chileno de nova geração nas mesas brasileiras.