Análise das Exportações Brasileiras de Melão 2025/26: Crescimento, Infraestrutura e Desafios Competitivos

O cenário do comércio internacional de frutas frescas (FLV) em 2025/26 sinaliza um período de notável dinamismo para o melão brasileiro. Dados recentes indicam que o Brasil exportou mais de 194 mil toneladas da fruta entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, representando um incremento de 6% em comparação com as 183 mil toneladas embarcadas no mesmo período da safra anterior (agosto de 2024 a janeiro de 2025). Este aumento consolidado de volume reflete uma perspectiva positiva para a temporada atual e sublinha a crescente relevância do país como fornecedor global.

A ascensão do volume exportado é atribuída, em parte, à estratégia de antecipação das colheitas pelos produtores do Rio Grande do Norte (RN) e Ceará (CE). A medida foi motivada por preocupações com o período de chuvas intensas, tradicionalmente observado entre janeiro e março, e foi fundamental para impulsionar os embarques na primeira metade da safra. Embora essa antecipação tenha contribuído para uma retração nas exportações em janeiro de 2026 em relação a dezembro de 2025, com uma queda de 18% no volume e 16% na receita, o saldo acumulado da safra permanece robusto e positivo. A principal praça exportadora, composta por RN e CE, encerrou suas campanhas de forma eficiente, mitigando riscos associados a condições climáticas adversas.

Um dos pilares desse crescimento e, em particular, da projeção de que o Rio Grande do Norte dobrará seus embarques de frutas frescas na safra 2025/26, é o investimento substancial em infraestrutura portuária. O Porto de Natal, no RN, está no centro dessa transformação. Estima-se que o estado possa exportar até 300 mil toneladas de frutas frescas via este terminal, um volume que representa o dobro do total exportado na safra anterior. Tal feito solidificaria a posição de Natal como o principal polo nacional de exportação de frutas.

Essa expansão é resultado de uma articulação estratégica entre a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), o Governo do Estado e a Agrícola Famosa, a maior exportadora do setor na região. Investimentos significativos, incluindo R$ 130 milhões disponibilizados pelo Governo Federal para melhorias de infraestrutura em agosto de 2025, durante a Expofruit em Mossoró/RN, são cruciais para essa capacidade ampliada de escoamento. As vantagens competitivas do Porto de Natal são claras: a disponibilidade de um terminal dedicado e de navios específicos para o transporte de frutas garante não apenas a qualidade intrínseca do produto, mas também um tempo de trânsito reduzido, pois as embarcações não realizam paradas intermediárias em outros portos. Isso é vital para a manutenção do padrão ideal de frescor e integridade da fruta no destino final. A Agrícola Famosa, por exemplo, já direciona de 65% a 70% de suas exportações para o Porto de Natal, transferindo cargas que antes eram escoadas por outros terminais, o que demonstra a confiança e a eficiência operacional alcançada. A expectativa da empresa é exportar cerca de 300 mil toneladas de melões e melancias nesta safra, além de uma participação menor de mangas e uvas.

Os principais destinos do melão brasileiro nesse período permanecem consistentes, com Países Baixos (43,34%), Espanha (24,88%), Reino Unido (23,16%) e Canadá (3,27%) liderando a lista. A manutenção desses mercados-chave reflete a solidez das relações comerciais e a aceitação do produto nacional.

Contudo, o mercado global de melão não está isento de desafios competitivos. Durante a entressafra brasileira, que ocorre de abril a junho, a concorrência de países da América Central, como Costa Rica e Guatemala, tende a se intensificar. Esses países têm expandido suas áreas de produção e projetam volumes de exportação maiores, o que pode limitar o espaço do melão brasileiro em mercados internacionais nesse período, especialmente após dois anos de volumes acima da média na entressafra brasileira. Tal cenário exige uma contínua avaliação das estratégias de mercado e uma busca por diversificação de destinos ou de janelas de comercialização.

Para a safra 2026/27, as projeções climáticas no RN e CE, indicando chuvas abaixo da média, podem possibilitar uma antecipação do início da colheita, possivelmente para junho ou julho, em vez do tradicional mês de agosto. Essa antecipação pode favorecer uma retomada mais célere das exportações brasileiras no segundo semestre, solidificando o protagonismo do Brasil no mercado internacional de melões. A capacidade de adaptação às condições climáticas e a otimização dos ciclos de produção serão fatores determinantes para a sustentabilidade e expansão da fruticultura exportadora brasileira. A resiliência da cadeia produtiva e a capacidade logística do país, exemplificada pelos investimentos no Porto de Natal, são elementos cruciais para a manutenção e ampliação da participação brasileira nesse segmento altamente competitivo.